Relacionamento homoafetivo.

Terça, 06 de Maio de 2014, 13h38

Sheila Soares
Psicóloga

Os Relacionamentos Homoafetivos e a Cidadania

 

Os relacionamentos homossexuais, apesar de tão antigos quanto à instituição da família, sempre foram tratados com muito preconceito, haja vista que a sociedade, guiada pelos dogmas da igreja, fez com que fosse criado um padrão de normalidade para as relações afetivas, tratando, desse modo, de forma anormal as demais relações que não entre um homem e uma mulher.

De fato a homossexualidade sempre existiu. Registros foram encontrados nas civilizações mais antigas, como a romana e a egípcia. Os gregos atribuíam a ela qualidade para a intelectualidade beleza e comportamento ético, entre eles a prática homossexual era nobre e até recomendável.

Mais tarde a visão científica prepondera sobre a religiosa, nessa fase homossexualidade é considerada doença que acomete o indivíduo cuja presença o identifica como homossexual, em contraposição a uma condição normal, tida como saudável, denominada de heterossexual.

 Dentre as diversas posições se destaca a de Sigmund Freud pela preocupação com o esvaziamento de conotações morais no estudo deste objeto. Ao invés de procurar respostas para questão em patologias físicas ou em depravações morais, a busca no que chama de consciente e inconsciente do individuo que pratica tal conduta sexual.

Desde a revisão e publicação do Código Internacional de Doenças 1985 a homossexualidade deixou de ser tida como uma patologia, saindo o homossexualismo dos distúrbios mentais para o capítulo dos sintomas decorrentes de circunstâncias psicossociais.

A partir de 1991 a Anistia Internacional considerou a proibição da homossexualidade violação dos direitos humanos.

A partir da década de 1960, ganham destacada expressão os movimentos sociais por direitos de homossexuais nos Estados Unidos, época considerada como do nascimento do movimento gay contemporâneo.

Sob a visão social o que podemos perceber é que o critério de distinção do homossexual é relativo, dependendo da cultura tal característica pode ser irrelevante ou possuir conotações diversas.

Em vários paises asiáticos, como o Japão ou as Filipinas a homossexualidade é largamente tolerada; em certas tribos da nova Guiné a pederastia é institucionalizada e tida como necessária para o sadio amadurecimento dos adolescentes. Da mesma forma entre certas tribos indígenas brasileiras, sendo importante ressaltar que na cultura paraense não é discriminado o homem que se relaciona com outros apenas de forma ativa por esses exemplos podemos perceber o relativismo cultural .

A confirmação dos direitos dos casais homoafetivos está, principalmente, no texto constitucional brasileiro, que aponta como valor basilar do Estado Democrático de Direito o princípio da dignidade da pessoa humana (cf. art. 1o, III), a liberdade e a igualdade sem distinção de qualquer natureza (CF. art. 5o), a inviolabilidade de intimidade e da vida privada (CF. art. 5o, X), que, como assevera Luiz Edson Fachin, à orientação sexual é direito personalíssimo, atributo inerente e inegável da pessoa a que, assim, como direito fundamental, é um prolongamento de direitos da personalidade, imprescindíveis para a construção de uma sociedade que se quer livre, justa e solidária.

Na construção da individualidade de uma pessoa, a sexualidade forma uma dimensão fundamental em sua subjetividade, alicerce indispensável para o livre desenvolvimento da personalidade.

A relação entre a proteção da dignidade da pessoa humana e a orientação homossexual é direta, pois o respeito aos traços constitutivos de cada um, sem depender da orientação sexual, é previsto no art. 1o, inciso III, da Constituição Federal.

Assim como nas uniões heterossexuais, o estabelecimento de relações de homossexualidade fundadas no afeto e na sexualidade, de forma livre e autônoma, sem qualquer prejuízo de terceiros, faz parte da proteção da dignidade humana.

Diante desses elementos, concluímos que o respeito à orientação sexual é aspecto fundamental para afirmação da dignidade humana, não sendo aceitável, juridicamente, que preconceitos legitimem restrições de direitos, fortalecendo estigmas sociais e deixando de lado um dos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito.

Na perspectiva da sociologia, da psicologia, da psicanálise, da antropologia, dentre outros saberes, a família não se resumia à constituída pelo casamento, ainda antes da constituição, porque não estavam delimitados por um modelo legal, entendido como entre outros.

De fato dentre as unidades de vivência encontradas na experiência brasileiras atuais, estão incluídas as uniões homossexuais, de caráter afetivo e sexual.

"Se todos têm direito 'a felicidade, não há por que negar ou desconhecer que muitas pessoas só serão felizes relacionando-se afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Valores e normas sócias são modificados, reconstruídos e alterados de acordo com a transformação da própria sociedade." Marta Suplicy

FONTE: http://blog.newtonpaiva.br 

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Síndrome do pânico, ansiedade elevada.

Terça, 06 de Maio de 2014, 13h27

Sheila Soares
Psicóloga

Síndrome do Pânico

A ansiedade é um estado emocional que faz parte da vida. Encontrar a pessoa por quem se está apaixonado causa ansiedade assim como a entrevista para um novo emprego. Antes de uma prova, por exemplo, esse estado de ânimo é produtivo, fazendo com que o estudante esteja alerta e preparado para o desafio.

Mas quando a ansiedade passa a afetar negativamente o dia-a-dia há um problema. Se alguém não consegue mais seguir sua rotina, seja no trabalho, na escola ou na vida social, pode estar sofrendo de um transtorno de ansiedade. A síndrome do pânico faz parte destes transtornos.

“Muitas pessoas podem ter síndrome do pânico e não saberem por não reconhecerem os sintomas”, alerta Ana Luiza Lourenço Simões Camargo, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Primeiros sintomas

A síndrome é caracterizada pela sucessão repentina de crises de pânico. A sensação horrível trazida por esses episódios faz com que a pessoa altere sua rotina, com medo de que o processo possa se repetir. “Na prática, isso significa que alguém que teve uma crise enquanto dirigia, deixa de dirigir; se a crise foi crise no metrô, deixa de utilizar esse meio de transporte”, explica a psiquiatra.

As crises impedem que se leve uma vida normal. Há casos em que a pessoa deixa de sair de casa ou não sai mais sozinha. A lógica é a seguinte: passa-se a viver na expectativa de novas crises e busca-se estar em uma situação em que seja possível encontrar ajuda.“Quem sofre da síndrome do pânico tem a preocupação persistente de ter novos ataques”, diz a dra. Ana Luiza.

Durante a crise, que tem seu ápice em 10 minutos, pelo menos quatro dos seguintes sintomas se manifestam:

PalpitaçãoTaquicardiaSuor em excessoTremorNáuseaTonturaSensação de não conseguir respirarMedo de perder o controleMedo de morrer

Mulheres x Homens

A síndrome se desenvolve principalmente em adultos jovens, por volta dos 25 anos; mas pessoas de qualquer idade podem apresentar o problema. As maiores vítimas são as mulheres, que recebem de duas a três vezes mais diagnósticos da síndrome do pânico que os homens.

Segundo a dra. Ana Luiza, ainda não há uma confirmação científica que relacione a maior incidência às mulheres. “Alguns casos no sexo masculino podem ser subdiagnosticados pelos homens buscarem menos auxílio”, analisa a psiquiatra.

Um estudo do National Comorbidity Survey (NCS), dos EUA, aponta que 71% das pessoas com síndrome do pânico são mulheres e apenas 29%, homens.

De onde vem?

Não há uma causa específica para a síndrome de pânico. Existem apenas algumas hipóteses. Uma delas trata dos fatores genéticos, uma vez que 35% dos familiares de primeiro grau de pacientes com transtorno de pânico também desenvolvem o problema.

Outra hipótese levantada é de que os portadores têm uma disfunção neurológica do sistema de alerta. “Quando passamos por alguma situação que causa medo, nosso sistema de alerta é acionado pelo cérebro. Quem sofre da síndrome pode ter uma disfunção nesse sistema e desencadear uma crise sem uma causa determinante”, pontua a psiquiatra.

Como cuidar

O tratamento para a síndrome do pânico inclui cuidar da doença em si e dos problemas que podem estar associados a ela como, por exemplo, a depressão. Os medicamentos mais utilizados são os antidepressivos e ansiolíticos, associados à psicoterapia. Essa junção costuma obter bons resultados.

“No tratamento, procuramos mostrar ao paciente que, por mais desconfortável que pareçam os ataques, ele não vai morrer por causa deles”, diz a dra. Ana Luiza. Com o tempo, os sintomas podem cessar completamente ou serem controlados, tornando-se mais leve. “Isso dependerá de cada paciente”, conclui.

FONTE: www.einstein.br 

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Agressividade: o que é e quais as categorias.

Terça, 06 de Maio de 2014, 11h27

Sheila Soares
Psicóloga

Agressividade e psicanálise.

A Agressividade é constitucional e necessária para auto conservação e conservação da espécie, porque possibilita nos posicionarmos nas situações e construirmos coisas. Ela está relacionada à ação

Todos os seres humanos (e inclusive os animais) trazem consigo um impulso agressivo.

A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade de todas as pessoas. Portanto, é algo natural.

Nas sociedades ocidentais, bastante competitivas, a agressividade costuma ser aceita e estimulada quando esta vale como sinônimo de iniciativa, ambição, decisão ou coragem.

A agressividade é um tipo de comportamento normal que se manifesta nos primeiros anos de vida.

Na infância, a agressividade é uma forma encontrada pelas crianças para chamar a atenção para si. É uma espécie de reação que adquire quando está à frente de algum acontecimento que faz com que se sintam frágeis e inseguras.

Na fase adulta, a agressividade se manifesta ainda como reação a fatos que aparentemente induzem o indivíduo à disputa e ainda a sentimentos.

A agressividade é uma qualidade natural, humana ou animal, que tem a função de defesa diante dos perigos enfrentados e dos ataques recebidos.

Agressividade e medo são emoções fundamentais na sustentação de processos decisórios.

A agressividade é uma forma de nos protegermos, de dar limites, em família ou no trabalho.

A ação está na agressividade, e a reação na violência.

Classificação da agressividade humana

1º.Agressão hostil (hostilidade)

Agressão hostil é emocional e geralmente impulsiva. É um comportamento que visa causar danos ao outro, independentemente de qualquer vantagem que se possa obter. Agressão hostil quando, por exemplo, um elemento que conduz um veículo colide propositadamente na traseira do automóvel que o ultrapassou. Este comportamento só trouxe desvantagens para o próprio: tem de pagar os danos do seu carro, do carro do outro condutor, podendo ainda vir a ter problemas com a justiça. O termo raiva pode designar esse sentimento em oposição à agressão premeditada.

2º.Agressão instrumental

É aquela em que é planejada visa um objeto, que tem por fim conseguir algo independentemente do dano que possa causar. É, freqüentemente, não impulsiva. Como exemplo de agressão instrumental: o assalto a um banco; pode ocorrer no decurso da ação uma agressão, mas não é esse o objetivo. O seu fim é conseguir o dinheiro, a agressão que possa surgir é um subproduto da ação.

3º.Agressão direta

O comportamento agressivo dirige-se à pessoa ou ao objeto que justifica a agressão. Na agressão sexual o objeto almejado confunde-se com o motivo da agressão na categoria acima descrita. Os motivos fúteis opõem-se à defesa da vida como critério de gravidade do ato agressivo.

4º.Agressão deslocada

O sujeito dirige a agressão a um alvo que não é responsável pela causa que lhe deu origem. Em animais também se observa esse mecanismo de controle dos impulsos agressivos.

5º.Auto-agressão

O sujeito desloca a agressão para si próprio. Ex: Suicídio, auto mutilação.

6º.Agressão aberta

Este tipo de agressão, que se pode manifestar pela violência física ou psicológica, é explicita, isto é, concretiza-se, por exemplo, em espancamentos, ataques à auto-estima, humilhações.

7º.Agressão dissimulada

Este tipo de agressão recorre a meios não abertos para agredir. O sarcasmo e o cinismo são formas de agressão que visam provocar o outro, feri-lo na sua auto-estima, gerando ansiedade. A teoria psicanalítica tem como explicação desta forma de agressão a motivação inconsciente.

8º.Agressão inibida

Como o próprio nome indica, o sujeito não manifesta agressão para com o outro, mas dirige-se a si próprio. O sentimento de rancor é um exemplo desta forma de expressão da agressão. Algumas teorias psicológicas têm a agressão inibida como causa de diversas doenças psicossomáticas. O grau mais severo do rancor pode ser designado por ódio, contudo ainda não existe um consenso para essa terminologia.

Origens da agressividade

"Amor e ódio constituem os dois principais elementos a partir dos quais se constroem as relações humanas. Mas amor e ódio envolvem agressividade. Por outro lado, a agressão pode ser um sintoma de medo. [...] De todas as tendências humanas, a agressividade, em especial, é escondida, disfarçada, desviada, atribuída a agentes externos, e quando se manifesta é sempre uma tarefa difícil identificar suas origens”.

Winnicott, 1939.

PESSOA AGRESSIVA

Definindo dentro de um parâmetro psicológico, a pessoa agressiva patológica (processos neuróticos infantis) é aquela que reage a todo acontecimento, como se fosse uma competição, contenda ou disputa na sua leitura mental.

A disputa passa a reinar na alma da pessoa; e se fizermos um levantamento da história do indivíduo, descobriremos que desde cedo o mesmo se esforçou em demasia para não vivenciar a experiência da exclusão.

Devastadora é a crítica para estas pessoas. Esta definição contempla os aspectos negativos do fenômeno.

A agressividade é um divisor de formas de conduta ou personalidade, pois o oposto é uma pessoa que vive em lamúria ou autocomiseração.

Já os agressivos têm uma precipitação de reações ou sentimentos.

A sociedade amplia o conceito de agressividade, considerando que a própria sinceridade e autenticidade são resultados da mesma.

AGRESSIVIDADE E CRESCIMENTO

Fundamental é a agressividade para o crescimento e conquista do espaço pessoa, sinal de que não se esta sendo passivo frente às imposições do social e dos outros.

A agressividade não é sinônima de falta de amor. Desta forma, casais que se amam podem ter momentos de agressividade, sentir raiva, ódio e vontade de ficar longe por alguns instantes sem que isso signifique que não se gostam.

AGRESSIVIDADE X NORMALIDADE X PATOLOGIA

A agressividade é um tipo de comportamento normal que se manifesta nos primeiros anos de vida.

A agressividade é uma forma encontrada pelas crianças para chamar a atenção para si. É uma espécie de reação que adquire quando está à frente de algum acontecimento que faz com que se sintam frágeis e inseguras.

Na fase adulta, a agressividade se manifesta ainda como reação a fatos que aparentemente induzem o indivíduo à disputa e ainda a sentimentos.

A criança quando agressiva tenta despertar nos pais ou responsáveis os sentimentos internos que esses não conseguem perceber.

Muitas vezes as crianças são rotuladas e castigadas pelo comportamento, porém é importante conhecer primeiramente as suas causas, para que se aplique algum tipo de manifestação relacionada à agressividade. O adulto, por sua vez, quando agressivo reage precipitadamente a qualquer tipo de acontecimento, o que possivelmente causa traumas inesquecíveis. Também age como forma de depositar sentimentos negativos como raiva, inferioridade, frustração e outros.

Por ser um comportamento normal que se inicia na infância e que pode permanecer ou não durante o amadurecimento do ser humano, existem terapias que auxiliam o agressor a controlar sua reação impulsiva diante dos acontecimentos que lhes parecem desafiadores. Tal reação deve ser estudada por um profissional e controlada por quem a possui, pois pessoas agressivas normalmente não conseguem conviver com outras pessoas.

COMPORTAMENTO AGRESSIVO

O Comportamento Agressivo consiste na defesa dos direitos pessoais e expressão dos pensamentos, sentimento e opiniões de uma maneira inapropriada e não positiva que transgride os direitos das outras pessoas.

O objetivo habitual da agressão é dominar as outras pessoas. A vitória assegura-se por meio da humilhação e da degradação. Trata-se, em último caso, de que os outros sejam mais débeis e menos capazes de expressar e defender os seus direitos e necessidades.

O comportamento agressivo é o reflexo de uma conduta ambiciosa, que tenta conseguir os objetivos a qualquer preço, inclusivamente se isso supõe transgredir as normas éticas e pisar os direitos dos outros. As conseqüências deste tipo de comportamentos são sempre negativas e as vítimas destas pessoas acabam, mais cedo ou mais tarde, por se sentir ressentidas e evitar a pessoa agressiva.

Comportamento agressivo tem influência genética

Estudo conduzido por Juergen Hennig, PhD, contribui para o aumento de evidências que o tipo de comportamento agressivo que nós consideramos psicopático ou sociopático tem algumas bases genéticas que podem envolver níveis anormalmente baixos do neurotransmissor serotonina. Mais uma vez, polimorfismos do gene aparecem para influenciar diferenças individuais.

Componentes específicos de agressão em 58 participantes pareceram relacionados ao alelo U (variação) de um gene chamado TPH, um marcador que deve estar ligado a outro gene ainda desconhecido. Henning diz, "ligação significa que ambos os genes são transmitidos juntos, pois estão bem próximos no mesmo cromossomo”.

Os pesquisadores mediram genótipos apelidados de AA, AC e CC. O genótipo "AA" estava associado com os índices mais altos de agressão, enquanto o genótipo "CC" estava associado com os índices mais baixos.

Usando outra amostra de 48 homens, os autores também validaram a distinção entre "hostilidade neurótica" e "hostilidade agressiva", esta última mais violenta e sem sentimento de culpa. Os autores dizem que sua descoberta enfatiza o valor de distinguir entre os diferentes aspectos de agressão.

Finalmente, apenas os homens "agressivamente hostis" liberaram índices altos de cortisol, o hormônio chave do estresse, depois de tomar uma droga antidepressiva que torna a serotonina mais disponível no cérebro.

Os autores especulam que, depois de serem privados de serotonina, os receptores neurais desses homens estavam sensíveis e reagiram além do normal, em parte por produzirem cortisol extra.

Juntando as três descobertas, Henning conclui que, "Nós descobrimos que os polimorfismos do gene contribuem para a variação que pode ser encontrada nos testes neuro-endócrinos e questionários de personalidade em indivíduos saudáveis. Isso demonstra que certos aspectos de comportamento relacionam-se a sistemas biológicos, tais como os sistemas neurotransmissores”.

COMPORTAMENTOS AGRESSSIVOS X PAIS.

A ausência de limites, a tolerância excessiva dos pais, a falta de tolerância perante frustrações, violência física ou emocional, ausência de carinho são fatores que provocam comportamentos agressivos, porém é interessante observar também se a criança não está passando por um momento de transformação em sua família, como separação dos pais, ganho ou perda de novos membros na família, seja por nascimento de irmão ou morte de alguém querido.

AUTISMO E AGRESSIVIDADE

O autismo não causa agressividade. Qualquer pessoa pode se tornar agressiva seja ela autista ou não. Deve-se investigar em cada caso o que estaria mantendo a agressividade, pois, mais uma vez, nenhum comportamento vem do nada!

INVESTIMENTOS BANCARIOS X AGRESSIVIDADE

As instituições Bancárias sugerem agressividade ao investidor e lista motivos para se preferir as ações.

VIOLÊNCIA X AGRESSIVIDADE

A agressividade é uma qualidade natural, humana ou animal, que tem a função de defesa diante dos perigos enfrentados e dos ataques recebidos.

A violência nos relacionamentos humanos, a agressividade desequilibrada, fora das situações de perigo, acontece fora e dentro das famílias. É uma reação ao sentimento interior de frustração, de carência, de incapacidade de amar, que desencadeia comportamentos destrutivos, diante da privação ou impossibilidade de satisfazer nossas necessidades naturais e atingir nossas motivações.

Todos nós temos necessidades naturais – de alimentos (fome), de líquido (sede), de sono, de repouso, de atividade produtiva, de gostar de si mesmo (auto-estima), de afeto, de aprovação social, de independência, de realização… Essas necessidades naturais criam motivações dentro de todos nós, que se apresentam como anseios, ideais ou desejos, que buscamos satisfazer o tempo todo – o nosso desejo de felicidade e paz, o desejo de saúde, o desejo de sucesso, o desejo de riqueza…

A violência, a agressividade desequilibrada, gera um ambiente doentio, interior e exterior. Gera medo, tensão, estresse, tristezas, ressentimentos, mágoas, culpas, inseguranças… Sentimentos que estão na origem da grande parte das doenças físicas.

Agressividade é constitucional e necessária para auto conservação e conservação da espécie, porque possibilita nos posicionarmos nas situações e construirmos coisas. Ela está relacionada à ação.

A violência é sempre uma reação por algo passado ou presente. Por exemplo, no desenvolvimento da criança ela pode sofrer abusos, espancamentos, maus tratos, etc. Mais tarde frente a determinados fatos ela pode ter uma reação, muitas vezes inconsciente, expressando uma violência desmedida frente a situação. Muitas vezes dependendo do que o individuo é submetido, ele pode apresentar uma reação de violência. Um animal em cativeiro é sempre violento.

A violência é sempre uma reação e não uma ação.

A agressividade está ligada a autopreservação, por que temos que nos posicionar, marcar espaço e isso é necessário para vivermos em sociedade.

Toda vez que a violência ocorre, ela está relacionada a algum fato de submissão no passado ou no presente.

A agressividade é constitucional e está ligada a ação.

A violência é uma reação e sempre está relacionada a um fato, passado ou presente.

A ação está na agressividade, e a reação na violência.

DEPRESSÃO X AGRESSIVIDADE

Algumas vezes, quando deparamos com alguém depressivo, percebemos apatia e comentamos sobre sua falta de vitalidade. Existe aí falta de "agressividade"?

Mas o que dizer de pessoas que usam sua energia de vida para hostilizar e destruir? Estamos tratando nesse momento de agressividade negativa, geralmente utilizada como instrumento de expressão de sentimentos como mágoa, insegurança ou incapacidade de lidar com as frustrações.

CRIANÇA E A AGRESSIVIDADE

Quando pensamos em crianças, logo associamos à imagem angelical de pureza e doçura. Por isso nos causam grande espanto e desorientação ao ver atitudes agressivas em crianças pequenas.

A agressividade é uma força instintiva que como outras são inatas em todos os seres humanos. Especialmente a criança, expressa tudo o que é mais essencial do ser humano, uma vez que ela ainda não completou seu amadurecimento moral e intelectual, ou seja, ela não tem recursos próprios para se relacionar com o mundo.

Assim, nas crianças percebemos as características essenciais e instintivas do ser humano com a agressividade, porém é individual de cada uma como e o quanto esta se manifesta.

O seu filho revela umas atitudes demasiadamente rebeldes, impulsivas e agressivas.

Os seus súbitos ataques de raiva fazem-na temer pelo futuro, mas nem sempre a fúria é negativa. Os pais não sabem muito bem o que se passa.

Os filhos andam muito irrequietos, agressivos e parecem estar a reagir com muita arrogância. Preocupados, os pais acham que se pode estar a passar alguma coisa e não compreendem tanta agressividade. Embora não saiba, as crianças devem revelar um pouco da agressividade que guardam dentro de si. Se não é saudável guardarem-na, também não é saudável a soltarem a todo o momento, mas se esta for equilibrada até é bom para combater o stress.

Logo à nascença, a criança solta o seu grito de agressividade. O primeiro grito de muitos outros que se seguirão, sem motivo aparente ou que pelo menos os pais não conseguem identificar qual o motivo, para além dos gritos de dor e de fome.

Quando se zangam por coisas mínimas e inexplicáveis, é sinal que estão fazendo um teste aos próprios pais para ver até onde é que lhes é permitido ir. Não há necessidade de os pais se irritarem logo após a primeira birra, pois se não se mostrarem interessados os filhos, em seguida, acabam com a choradeira.

As crianças que são muito calmas, pacíficas e que nunca demonstraram a mínima irritação em relação a nada, são crianças apáticas e tristes. O fato de as crianças nunca se irritarem com nada é sinal que guardam tudo para elas, e que reprimem os seus sentimentos e mágoas. Estas crianças são muito tristes, pouco ou nada falam e começam a ter muito medo das coisas e do próprio mundo. Os pais devem compreender se o filho está com algum problema, ou se é mesmo da personalidade dele.

Há que perceber que a agressividade é diferente da violência. A agressividade é um tipo de reação normal, mas a violência é já característica de uma outra parcela de crianças.

Habitualmente, as crianças agressivas têm reações de rebeldia, respondem mal e protagonizam gestos agressivos, mas nunca atingem o patamar da violência. Às crianças violentas está ligada a explosão repentina de muitas mágoas e episódios que guardaram para si, e que só agora conseguiram expandir. Isto retrata um tipo de preocupação e de controlo totalmente distinto da agressividade.

As crianças agressivas utilizam essa agressividade como forma de se defenderem do que as rodeia, e não necessariamente porque tenham instintos ou pensamentos violentos. Por isso, os ataques de berraria e de "reivindicações infantis" não passam de uma defesa e de um jogo elaborado inconscientemente pelos mais novos, para testarem a sua importância familiar e os limites daqueles que os rodeiam.

Os pais, ao serem mais repressivos e menos benevolentes, têm já que estar preparados para as trocas de palavras menos carinhosas e mais chocantes por parte dos seus filhos. Deve ser benevolente com ele, mas com determinados limites. A criança tem que perceber que há alturas nas quais os seus desejos podem ser-lhe concedidos, embora em outras situações isso não possa suceder. Não lhe explique o motivo porque a criança não pode fazer alguma coisa de maneira autoritária. Utilize um caminho informal e de fácil entendimento para ele, alegando sempre coisas boas para o crescimento dele caso ele não faça o que deseja.

Se julgar que o seu filho é muito agressivo, fique, a saber, que essa agressividade tem o seu lado positivo. Expulsa as suas tensões e nervos internos, e essa agressividade é um dos caminhos para perceber se não há problemas de maior com o seu pequeno mundo.

Motivo para preocupação é se a criança for demasiadamente certinha, calma e pacífica. Por detrás dessa solidão está sempre uma enorme tristeza e mágoa interior.

Acompanhe e tente perceber todas as reações do seu filho, pois todas elas possuem uma leitura importante e útil para poder compreendê-lo.

JOGO X FALTA DE PACIENCIA X AGRESSIVIDADE

Existe uma grande diferença entre agressividade e falta de paciência; e a primeira tem sido uma ótima desculpa para justificar a segunda.

Jogar agressivamente sem duvida é um caminho interessante para a vitória. Mas a agressividade tem que ser bem usada e tem que ser usada da forma correta. Pense nisso e veja se não esta confundindo agressividade com falta de paciência.

AGRESSIVIDADE X DESENVOLVIMENTOS GLANDULARES NO ADOLESCENTE

O psicólogo Nicholas Allen, da Universidade de Melbourne, Austrália, filmou 137 adolescentes de 11 a 14 anos enquanto eles discutiam com os pais sobre assuntos "explosivos", tais como a hora de ir para a cama, deveres escolares, uso do computador, etc. O nível de agressividade demonstrado pelos adolescentes nessas discussões também foi comparado ao tamanho das amídalas cerebrais (não confundir com as amídalas palatinas...).

Foi observada uma correlação entre o tamanho das amídalas e a agressividade do adolescente.

Parece que o crescimento descompassado das amídalas e do córtex pré-frontal poderia explicar fases de maior agressividade durante o desenvolvimento e a passagem da adolescência à vida adulta.

AGRESSIVIDADE E VIOLENCIA DOMESTICA

Alguns consideram que o problema acontece devido a uma carência emocional experimentada pela criança que se sente ferida; outros acreditam que a criança não teve fixados os seus limites. Perceberam que crianças e adolescentes desvantajados, expostos ao abandono, morte ou doença dos pais, ou submetidos à intensa ansiedade gerada pelo ambiente das ruas, podem apresentar conduta agressiva (Fagan & Wexler, 1987).

Quando os pais ferem-se mutuamente, abandonam as famílias ou ameaçam suicidar-se, a ansiedade dos filhos é esmagadora. Eles podem desenvolver um padrão crescentemente agressivo em suas relações familiares, escolares e sociais (Wolff, 1985).

Foi encontrada associação entre privação emocional na infância agressão física entre os pais, depressão materna, quebra precoce do vínculo mãe-filho, negligência ou rejeição materna, número elevado de substitutos maternos, abuso físico e sexual e conduta violenta em adolescentes (Forchand, 1991; Assis, 1991).

Histórias de abuso físico e sexual têm sido relatadas por adultos e adolescentes que apresentam auto-imagem negativa, dificuldades de relacionamento e vazão inapropriada de impulsos agressivos (Dodge et al., 1991; Gil, 1990; Oates, 1984; Blomhoff et al., 1990).

BULLYING

Bullying é um problema universal que atinge quase todas as pessoas, família, escola, trabalho ou comunidade em um momento ou outro, independentemente da idade, sexo, raça, religião ou status sócio-econômico.

Bullying não só se restringe apenas às "escola", a questão do assédio moral é mais amplo e atinge constantemente toda sociedade do planeta terra, ocasionando graves problemas de saúde mental e no bem-estar social.

Os efeitos do bullying podem durar uma vida.

O termo Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotada por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.

Ações Bullying

Colocar apelidos, Ofender, Zoar, Gozar, Encarnar, Sacanear, Humilhar, Fazer sofrer, Discriminar, Excluir, Isolar, Ignorar, Intimidar, Perseguir, Assediar, Aterrorizar, Amedrontar, Tiranizar, Dominar, Agredir, Bater, Chutar, Empurrar, Ferir, Roubar, Quebrar pertences e outros.

Medo e agressividade são aliados na tomada de decisões

As empresas devem se preocupar com a capacitação emocional de seus empregados. Só assim conseguirão o comprometimento necessário à incorporação de inovações em favor da produtividade e competitividade. Agressividade e medo, por exemplo, são emoções fundamentais na sustentação de processos decisórios.

Segundo o médico-psiquiatra e especialista em terapia empresarial, Paulo Gaudêncio, nunca perdemos o medo de errar. “O que precisamos é aprender a mandar no medo para fazer as mudanças necessárias na vida familiar e nos negócios”, afirmou durante palestra aos participantes da Oficina ‘Inovação da Gestão Interna’, na terça-feira (20), dentro da programação da 3ª Semana de Capacitação do Sistema Sebrae, em Brasília (DF).

Gaudêncio citou a fadista portuguesa Amália Rodrigues, a melhor no gênero há 50 anos. Indagada sobre o que sentia ao subir ao palco, respondeu sem titubear: medo. Segundo Gaudêncio, nossas emoções são nossos principais combustíveis e devemos, portanto, saber lidar com elas. Se mandarmos no medo, ele nos ajuda a ser prudentes e corajosos. Se ele nos vence, somos covardes. Se não o temos, podemos ser irresponsáveis. Tudo é uma questão de equilíbrio.

O mesmo acontece com a agressividade que, administrada, sustenta a razão. Nos animais, limita o espaço vital. Nos homens, mais que isso: limita o espaço emocional. A agressividade, portanto, é uma forma de nos protegermos, de dar limites, em família ou no trabalho. “Sapo é difícil de ser engolido. Mas, se engolidos com ajuda de um bom molho, podemos até digeri-los. O que é fácil de ser engolido são os girinos do dia-a-dia. O problema é que são impossíveis de serem digeridos”, afirmou.

Segundo Gaudêncio, engolidores de girinos são poços de mágoa, resultados de ódio reprimido. Por isso, a importância do diálogo, do feedback nas relações familiares e de trabalho. E diálogo é saber falar como depoimento e não como acusação. É saber equilibrar agressividade e afetividade. “O amigo é aquele que fala para e não aquele que fala de. Agressividade e medo são nossos aliados nos processos de mudanças”, afirmou.

Serotonina pode ajudar no controle da agressividade

A serotonina, um dos principais neurotransmissores do sistema nervoso central, desempenharia um papel importante no controle de emoções, especialmente a agressividade, de acordo com um estudo britânico publicado na sexta-feira nos Estados Unidos.

O estudo ajudaria a esclarecer problemas clínicos como a depressão, as obsessões e a ansiedade, que se caracterizam por baixos níveis de serotonina.

Os psiquiatras e neurologistas estabeleceram há tempos uma relação entre a serotonina e o comportamento social, mas o papel preciso desempenhado por essa molécula na agressividade é controverso.

Testosterona x Libido x Agressividade

Testosterona é um hormônio esteróide produzido, tanto nos Homens quanto nas Mulheres.Nos homens pelos testículos (os quais também produzem espermatozóides e uma série de outros hormônios que controlam o desenvolvimento normal e funcionamento), nos indivíduos do sexo feminino, pelos ovários, e, em pequena quantidade em ambos, também pelas glândulas supra-renais.

Vale ressaltar que a síntese da testosterona é estimulada pela ação do LH (hormônio luteinizante), que por sua vez é produzido pela pituitária anterior (adenohipófise ou simplesmente hipófise).

A testosterona é responsável pelo desenvolvimento e manutenção das características masculinas normais, sendo também importante para a função sexual normal e o desempenho sexual. Apesar de ser encontrado em ambos o sexo, em média, o organismo de um adulto do sexo masculino produz cerca de vinte a trinta vezes mais a quantidade de testosterona que o organismo de um adulto do sexo feminino, tendo assim um papel determinante na diferenciação dos sexos na espécie humana.

Altas taxas de testosterona tendem a aumentar o comportamento agressivo. Além disso, estudos feitos por Richard Udry com adolescentes mostraram que um alto nível do hormônio aumenta a predisposição a ter relações sexuais. O mesmo acontece com adultos. Só que entre esses, o maior nível de testosterona costuma acarretar problemas no casamento.

James Dabbs e Alan Booth analisaram as relações amorosas de 4.462 militares entre 30 e 40 anos e perceberam que os homens com testosterona alta eram menos propensos a se casar e se divorciavam mais facilmente. Além disso, os campeões da testosterona tinham o dobro de chances de ter relações extraconjugais do que os que apresentavam níveis mais baixos. Risco e agressividade podem não combinar com a vida conjugal.

Já num estudo da Faculdade de Medicina de Yale, cientistas observaram que altos níveis testosterona, ainda que por períodos curtos de seis a doze horas, causaram morte em culturas de neurônios.

AGRESSIVIDADE X TESTOSTERONA X CASTRAÇÃO DE CRIMINOSOS

Diversos estudos clínicos realizados em Prisões Norte Americanas demonstraram que os seus detidos mais violentos tinham geralmente doses mais elevadas do hormônio masculino, a Testosterona que a população comum.

Sabe-se também que altos níveis deste hormônio no sangue conduzem para além de um aumento de agressividade a um aumento do espírito de competitividade, assim, uma droga que reduzisse estes níveis, ou a introdução do hormônio feminino no sistema de um agressor patológico poderia reduzir a sua propensão natural para a Agressão e para a Sociopatia… Igual conseqüência teria a castração, física ou química, já que o dito hormônio é produzido nos testículos. De igual forma, a mesma castração teria conseqüências na redução em longo prazo dos níveis de Crime nas Sociedades.

Estes tratamentos seriam muito mais humanos do que prender alguém durante 20 ou 25 anos e certamente com muito maior eficácia social e financeira.

PSICANÁLISE E A AGRESSIVIDADE

As discussões sobre agressividade enunciaram-se desde o princípio no discernimento freudiano. Assim, na “Psicoterapia da histeria”, de 1895, essa problemática já se enunciara, pelo viés da questão da resistência (Freud 1971a), no registro estritamente clínico. Porém, nas experiências analíticas de Dora (Freud 1971c [1905]) e do pequeno Hans (Freud 1971d [1909]), a agressividade foi inscrita no registro do sintoma, sendo então responsável pela produção e pela reprodução desse.

Subentende-se que a problemática da agressividade não se formulou num momento tardio do discurso freudiano, como supõem equivocadamente alguns intérpretes desse discurso, que formularam que a sua emergência teórica seria correlata à constituição do conceito de pulsão de morte. Pode-se dizer, ao contrário, que o enunciado desse conceito, articulado com a questão da agressividade, foi o ponto de chegada de um longo e tortuoso percurso no pensamento freudiano. Não foi porque Freud colocava toda a ênfase na sexualidade, no quadro da primeira teoria das pulsões (Freud 1962 [1905]), que a agressividade não era já um problema para o discurso freudiano.

É preciso relembrar, no entanto, que a dita problemática não tinha ainda uma elaboração teórica autônoma, no contexto do discurso metapsicológico sobre as pulsões. Vale dizer, o discurso freudiano não enunciou a existência de uma pulsão de agressão, como realizou Adler (cf. Kauffman 1996), na medida em que a agressividade foi inscrita na oposição entre as ordens do sexual e da autoconservação. Mesmo posteriormente, quando Freud inscreveu a autoconservação no registro do eu – elaboração realizada em 1910, no ensaio “As perturbações psicogênicas da visão numa perspectiva psicanalítica” (Freud 1973b [1910]), que culminou no conceito de narcisismo em 1914 (Freud 1973d [1914]) –, a agressividade continuou a ser ainda concebida nesse contexto metapsicológico.

Ao falarmos de agressividade em psicanálise, imediatamente nos vem à lembrança, de modo quase automático, o texto de 1929, Mal-estar na Civilização, no qual Freud reconhece na agressividade inata do homem o principal fator de ameaça à vida em sociedade. Contudo, as coisas nem sempre foram assim.

Na realidade, a agressividade se constituiu como um problema com o qual Freud teve que se debater durante muito tempo, embora, desde os primeiros momentos, tenha reconhecido e valorizado a incidência das tendências hostis como algo inerente à especificidade do tratamento analítico.

Na psicanálise, de acordo com sua colocação diferenciada dos motivos, despertam-se todas as moções [do paciente], inclusive as hostis... são aproveitadas para fins de análise, (1905[1901], p.111).

Unicamente a partir de 1920, após a formulação da segunda teoria pulsional, a agressividade será reconhecida como uma pulsão específica, funcionando, desde então, praticamente como o outro nome dos impulsos da pulsão de morte, cuja finalidade é a destruição.

Existem essencialmente duas classes diferentes de pulsões: as pulsões sexuais, percebidos no mais amplo sentido – (Eros) e (Pulsões Agressivas), cuja finalidade é a destruição, (Freud, 1933[32], p.129).

FONTE: www.brasilescola.com 

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Violência doméstica: quem são as vítimas e as consequências causadas pelo agressor.

Terça, 06 de Maio de 2014, 11h14

Sheila Soares
Psicóloga

Violência Doméstica: O sofrimento que atinge muitíssimas pessoas, independente do nível intelectual, social e econômico.

A violência doméstica é um problema que atinge milhares de crianças, adolescentes, e mulheres. Esta página começava com essas palavras, até que recebi e-mail de um leitor ressaltando a falha e injustiça de excluir, do rol dos prejudicados, os homens. Portanto, podemos começar de novo dizendo que: A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer nenhum nível social, econômico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de jovens entre 5 e 19 anos. A maior parte dessas agressões provém do ambiente doméstico. A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados de 1997.

Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao companheiro ou companheira. Para outros o envolvimento de crianças também caracterizaria a Violência Doméstica. A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouca auto-estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repetí-lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, sejam por razões materiais, sejam emocionais. Para entender esse tipo de personalidade persistentemente ligada ao ambiente de violência doméstica poderíamos compará-la com a atitude descrita como co-dependência, encontrada nos lares de alcoolistas e dependentes químicos .

Para entender a violência doméstica, deve-se ter em mente alguns conceitos sobre a dinâmica e diversas faces da violência doméstica, como por exemplo:

Violência Física Violência física é o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comum murros e tapas, agressões com diversos objetos e queimaduras por objetos ou líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da agressão ativa e física, também é considerado violência os atos de omissão praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada diretamente. Tendo em vista a habitual maior força física dos homens, havendo intenções agressivas, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. Não são incomuns, atualmente, a violência física doméstica contra homens, praticados por namorados(as) ou companheiros(as) dos filhos(as) contra o pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida pelos cuidados com as crianças e adolescentes, é bom ressaltar que um bom número de agressões domésticas são cometidos contra os pais por adolescentes, assim como contra avós pelos netos ou filhos. Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a) parceiro(a) à situação conflitante do lar, a violência física pode perpetuar-se mediante ameaças de "ser pior" se a vítima reclamar à autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida em que as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções corretivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física. A Embriagues Patológica é um estado onde a pessoa que bebe torna-se extremamente agressiva, às vezes nem lembrando com detalhes o que tenha feito durante essas crises de furor e ira. Nesse caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência, geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor quando não bebe "é excelente pessoa", segundo as próprias esposas, ou porque é o esteio da família e se for detido todos passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Também portadores de Transtorno Explosivo da Personalidade são agressores físicos contumazes. Convém lembrar que, tanto a Embriagues Patológica quanto o Transtorno Explosivo têm tratamento. A Embriagues Patológica pode ser tratada, seja procurando tratar o alcoolismo, seja às custas de anticonvulsivantes (carbamazepina). Estes últimos também úteis no Transtorno Explosivo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de algumas situações, as mulheres vítimas de violência física podem ter alguma parcela de culpa quando o fato se repete pela 3a. vez. Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A segunda aconteceu porque ela deu uma chance ao companheiro de corrigir-se mas, na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo. De acordo com a pesquisa “A mulher brasileira nos espaços públicos e privados” – realizada pela Fundação Perseu Abramo em 2001, registrou-se espancamento na ordem de 11% e calcula-se que perto de 6,8 milhões de mulheres já foram espancadas ao menos uma vez.

Violência Psicológica A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

É muito importante considerar a violência emocional produzida pelas pessoas de personalidade histérica, pelo fato dela ser predominantemente encontrada em mulheres, já que, a quase totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem respeito aos homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência onde o homem sofre mais.

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que significa teatralidade. O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido dramático e com notável tendência em buscar atenção contínua. Normalmente a pessoa histérica conquista seus objetivos através de um comportamento afetado, exagerado, exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da platéia. Mas a natureza do histérico não é só movimento e ação; quando ele percebe que ficar calado, recluso, isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar ninguém” é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo seu objetivo comportando-se dessa forma.

Através das atitudes histriônicas o histérico consegue impedir os demais membros da família a se distraírem, a saírem de casa, e coisas assim. Uma mãe histérica, por exemplo, pode apresentar um quadro de severo mal estar para que a filha não saia, para que o marido não vá pescar, não vá ao futebol com amigos... A histeria quando acomete homens é pior ainda. O homem histérico é a grande vítima e o maior mártir, cujo sacrifício faz com que todos se sintam culpados.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente. Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos, quando esses não estão saindo exatamente do jeito idealizado ou do marido em relação às esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de Agressão Emocional. As pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo, deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa, se não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em maridos que depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa, que, normalmente se aborrecendo com algum sucesso ou admiração ao marido, ridiculariza e coloca qualquer defeito em tudo que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se estivessem corretas, fossem inevitáveis ou não fossem intencionais. "Mas, de fato a comida estava sem sal... Mas, realmente, fazendo assim fica melhor..." e coisas do gênero. Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as crises de quebra de utensílios, mobílias e documentos pessoais também são consideradas violência emocional, pois não houve agressão física direta. Quando o(a) cônjuge é impedida(a) de sair de casa, ficando trancado(a) em casa também se constitui em violência psicológica, assim como os casos de controle excessivo (e ilógico) dos gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como por exemplo, o uso do telefone.

Violência Verbal A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica. Alguns agressores verbais dirigem sua artilharia contra outros membros da família, incluindo momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade em relação à violência masculina, a mulher tende a se especializar na violência verbal mas, de fato, esse tipo de violência não é monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de complexos e conflitos, algumas pessoas se utilizam da violência verbal infernizando a vida de outras, querendo ouvir, obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam noites nessa tortura verbal sem fim. "Você tem outra(o) .... você olhou para fulana(o) ... confesse, você queria ter ficado com ela(e)" e todo tido de questionamento, normalmente argumentados sob o rótulo de um relacionamento que deveria se basear na verdade, ou coisa assim.

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja, até em pessoas que permanecem em silêncio. O agressor verbal, vendo que um comentário ou argumento é esperado para o momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exatamente, em demonstrar que tem algo a dizer e não diz. Aparenta estar doente mas não se queixa, mostra estar contrariado, "fica bicudo" mas não fala, e assim por diante. Ainda agrava a agressão quando atribui a si a qualidade de "estar quietinho em seu canto", de não se queixar de nada, causando maior sentimento de culpa nos demais.

Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de depreciação da família e do trabalho do outro. Um outro tipo de violência verbal e psicológica diz respeito às ofensas morais. Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas acusações é mobilizar emocionalmente o(a) outro(a), fazê-lo(a) sentir diminuído(a). O mesmo peso de agressividade pode ser dado aos comentários depreciativos sobre o corpo do(a) cônjuge.

Afinal, se a criança e o adolescente não conseguem encontrar segurança e estabilidade em suas próprias casas, que visão levarão para o mundo lá fora? Os conflitos nas crianças podem resultar da disparidade entre o que diz a mãe, sobre ter medo de estranhos, e a violência sofrida dentro de casa, cometida por pessoas que a criança conhece muito bem. Além disso a violência doméstica pode ainda perpetuar um modelo de ração agressiva e violenta nas crianças que estão com a personalidade em formação.

A Violência Doméstica é considerada um dos fatores que mais estimula crianças e adolescentes a viver nas ruas. Em muitas pesquis